O modelo de negócios do Século 21: Tudo “Free”

setembro 30, 2009 at 2:48 am 2 comentários

Free (Grátis), o novo e polêmico livro de Chris Anderson – autor do A cauda longa –, explora o próximo passo do capitalismo e como ganhar dinheiro em um mundo onde aparentemente as pessoas têm tudo de graça na internet e não querem pagar por conteúdo.

Os exemplos que Chris Anderson usa no livro para basear sua teoria já viraram  lugar comum hoje em dia, como o YouTube e blogs, que distribuem o conteúdo gratuitamente e faturam em cima dos links patrocinados.

O autor também destaca o Brasil como um dos países pioneiros na exploração da economia do gratuito em diversas áreas, como a da música, software e medicamentos.

Chris Anderson relaciona o poder dos camelôs brasileiros e o sucesso atingido pela Banda Calypso: “Em uma agitada esquina em São Paulo, Brasil, camelôs vendem os últimos lançamentos do “tecnobrega”, incluindo uma banda de sucesso chamada Banda Calypso(…)A banda não se importa de deixar de ganhar dinheiro com isso, porque a venda de discos não é sua principal fonte de renda. Na verdade, a banda está no negócio de shows — e é um bom negócio. Viajando de uma cidade à outra, sempre precedida por uma onda de CDs superbaratos, a Banda Calypso é capaz de lotar centenas de shows por ano”.

Anderson fala também da redução de custos de produção de uma série de produtos e serviços permitindo determinadas indústrias à  simplesmente dar de graça os produtos que oferecem.

O raciocínio dele na teoria faz sentido uma vez que a propaganda não é mais eficiente para chamar atenção das pessoas como antigamente. Hoje, ninguém m ais tem paciência para assistir propagandas durante programas de TV.

Sendo assim, Anderson parte da mesma teoria utilizada pelo Google: dar de graça o produto principal sairá mais barato do que investir milhões em propagandas que ninguém presta atenção, e por outro lado, os funcionários de marketing ficarão responsáveis por criar métodos criativos mais rentáveis.

Seria como a Skol entregar cervejas de graça para atingir maior mercado possível e ganhar dinheiro com o Skol Beats e outros eventos. O jornal Wall Street Journal, por exemplo, tem um modelo em que parte do conteúdo é gratuito para atrair leitores e parte é paga, pela assinatura dos leitores e pelos anunciantes.

Quanto às empresas de comunicação e os profissionais de jornalismo, Chris Anderson diz que ambos deverão repensar seus negócios e atividades. O problema é que a “social media” distribui informações na mesma plataforma que é usada pelas empresas de comunicação.

Hoje, muitas das informações na internet não são produzidas por empresas comerciais. Então há uma concorrência na produção de conteúdos com a qual os jornalistas e as empresas não contavam. E ambos terão que ajustar-se aos novos tempos. Os jornalistas vão ter que oferecer aos leitores algo que os amadores e os diletantes da internet não oferecem. Os amadores não podem substituir os profissionais. Os jornalistas deverão mostrar seus diferencias como relevância da informação que produzem, o acesso às pessoas, o talento na escrita e o tempo investido na coleta de dados. Isto vale para jornais, TVs, rádios, produtoras de cinema, gravadoras… Vale enfim para toda a indústria de produção cultural.

Realmente, a tendência digital é ser cada vez mais gratuita. E tem por trás a tendência de atrair o maior número de pessoas aumentando popularidade. Não é a toa que o escritor Paulo Coelho inventou um site chamado “Pirate Coelho” para piratear seus próprios livros e permitir o download gratuito de suas histórias. Atraindo o maior número de leitores, seus livros bem como o poder do seu nome aumentam bruscamente. Coelho enfrentou a editora HarperCollins e causou a polemica que levou à explosão do sucesso editorial de seus livros. Foi uma excelente estratégia de marketing.

Outro tema explorado por Anderson é a produção de medicamentos grátis. Segue o trecho do livro:

“Em 1996, em resposta ao alarmante índice de casos de Aids no Brasil, o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu a distribuição de novos coquetéis de medicamentos a todos os portadores de HIV no país. Cinco anos mais tarde, com o número de casos de Aids caindo, ficou claro que o plano era bom, mas — aos preços sendo cobrados pelos medicamentos patenteados contidos no coquetel — absolutamente insustentável.
Então, o ministro da saúde do Brasil procurou os principais detentores das patentes, a gigante farmacêutica americana Merck e a empresa suíça Roche, e pediu desconto porvolume. Quando as empresas negaram, o ministro aumentou a aposta. De acordo com a lei brasileira — ele informou às empresas —, era dele o poder, em caso de emergência nacional, de licenciar laboratórios locais para produzir medicamentos patenteados, sem a necessidade de pagar pelos direitos, e ele exerceria esse direito, caso fosse necessário. As empresas cederam e os preços caíram mais de 50%. Hoje em dia, o Brasil tem uma das maiores indústrias de medicamentos genéricos do mundo”.

Uma empresa de biotecnologia investiu 500 milhões de dólares  para desenvolver um remédio especifico para a doença Pompe, que atinge menos de 10 mil pessoas no mundo inteiro. O preço da droga esta determinado em 300 mil dólares por ano. Esta empresa sobrevive da propriedade intelectual de seus contribuidores. A informação é extremamente valiosa e não deve ser de graça, muito pelo contrario.

Pagar mais por um produto de qualidade (o famoso produto premium), para ter televisão a cabo e informações valiosas, é coerente.

Quando falamos de músicas, livros, filmes, etc. não têm o que negar. Ninguém mais paga por isso na internet. Todas as áreas, seja de entretenimento ou não, devem parar de lutar contra algo inevitável e pensar fora da caixa, isto é, encontrar oportunidades nesse novo negócio.

A busca pelo termo grátis, como mostra o gráfico a seguir, só faz aumentar

gratis
Fonte: Google Trends

E os consumidores estão cada vez mais procurando por jogos, vídeos, músicas, livros, revistas e até telefones e serviços de operadoras (ex. sms) de graça.

Agora a teoria dos “consumidores livres, num mercado livre, querem produtos e serviços gratuitos” vai além.  Ei, Chris, Por que o exemplar impresso do seu livro não é gratuito?

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2 Comentários Add your own

  • 1. Bruno P.  |  setembro 30, 2009 às 7:20 pm

    matéria meio grande, mas ótima leitura!

    abrs

    Responder
  • 2. Sandro  |  outubro 1, 2009 às 4:08 am

    Pimenta no * dos outros é refresco

    Responder

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